Ovos de Touro

25/12/2004

MENSAGENS

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Escrito por Emerson Wiskow às 21h30
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A garota do strip e eu (3wiskow@bol.com.br)

Enquanto a garota subia na mesa para fazer seu show de strip eu pensava no texto que havia voltado. Era o terceiro. Parece que não havia jeito de publicarem algo meu. Talvez fosse por causa dessa coisa chamada talento. Eu estava tentando.

O bar era uma espelunca que ficava perto da rodoviária e as mulheres faziam o estilo brejeira. Uma garota subiu na mesa e ensaiou seus primeiros passos enquanto outra ficava na sua frente dando-lhe dicas. Ela desceu sinuosa, mas não muito. A garota tentava, eu também. Como eu disse, havia voltados três textos meus. A garota continuou despindo-se, desajeitada mas boa. Foi até o final.

Bebi um gole e cutuquei meu amigo.

- Ela vai melhorar - comentei.

Voltei a pensar na próxima história que escreveria. A garota do strip e eu, nós continuaríamos tentando.


Escrito por Emerson Wiskow às 21h28
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Omeletes Parte 1 (3wiskow@bol.com.br)

A televisão estava ligada enquanto Marlene fazia alguns omeletes para o nosso jantar. Conheci Marlene em uma festa e logo que a vi fiquei atraído por aquela morena de quadril largo, bunda grande e rosto bonito. Ela estava parada, sozinha, fumando um cigarro quando eu resolvi abordá-la. Convidei-a para beber uma cerveja comigo, ela aceitou e hoje está aqui, preparando um omelete para nós dois.

Marlene vive reclamando do seu quadril, diz que é muito grande, reclama da sua celulite, fala que é muito bunduda. Eu adoro a sua celulite, o seu quadril largo e a sua grande bunda. Aprendi a gostar dos seus omeletes. Era a única coisa que ela sabia fazer - omeletes -. Marlene sempre comentava: “É só quebrar alguns ovos, bater, colocar um salzinho e o omelete está pronto”. Marlene não gostava de cozinhar, sempre pensei em ter uma mulher que soubesse cozinhar. Mas daí apareceram os quadris, as bundas grandes e os cabelos negros. Não se pode ter tudo, saber cozinhar para mim ficou em segundo, terceiro plano. Então comecei a comer os omeletes que Marlene preparava, e para falar a verdade eu não os agüentava mais. Mesmo assim eu continuava comendo e dizendo que estava ótimo. Ah! O amor...

 Marlene era filha de Iemanja, gostava das águas e todos os anos fazia com que eu a acompanha-se para levar oferendas para a Santa. Marlene vestia-se toda de branco, linda, com os seus cabelos compridos e pretos caídos sobre aquele branco do seu vestido. Eu ficava observando aquele belo contraste. O negro e o branco, lindo.

Os omeletes na frijideira. Eu desenhando, a televisão ligada e Marlene desfilando de um lado para o outro na cozinha, com um cigarro entre os dedos, usando um vestido curto e calçando chinelos. Eu observava o seu vai e vêm, as suas tragadas e o modo como ela soltava fumaça pelo ar enquanto abaixava-se e mostrava ainda mais as suas coxas grossas. Marlene me deixava em permanente estado de ereção. Com ela eu sempre estava de pau duro, foda-se os viagras e qualquer outra merda, para mim era preciso apenas estar ao lado daquela morena. Marlene adorava novelas mexicanas, dramalhões e dançar. Fiquei encantado com ela desde a primeira vez que a vi, para mim a minha vida só teria sentindo ao lado de uma mulher como ela. Era o que eu pensava.

- O omelete está pronto, venha comer - disse ela sorrindo.

- Já vou, mas antes deixa eu ver a sua bunda - respondi.

- Tarado, você não pensa em outra coisa?

- Pensar no quê? Com você perto de mim!

- Em algo que não esteja relacionado com sexo - respondeu ela fazendo-se de zangada.

Marlene aproximou-se com seu vestido e suas pernas grossas, peguei ela pela cintura e beijei-lhe o ventre. Virei-a de costas para mim, levantei o seu vestido e observei aquela bunda maravilhosa coberta por uma pequena calcinha de algodão. Dei-he um beijo e passei a língua em sua bunda. Fomos jantar.

Marlene dizia que estava apaixonada por mim. Talvez ela estivesse mesmo, para estar comigo, vivendo de omeletes e assistindo eu passar os dias desenhando, fazendo apenas pequenos bicos... Tinhamos grandes momentos juntos, e algumas vezes eu me sentia muito feliz, sempre ao seu lado. O que me leva a acreditar:


Escrito por Emerson Wiskow às 21h25
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Omeletes Parte 2

1. Eu sou um cara muito romântico.

2. Não preciso de muito para ser feliz.

3. Eu tinha encontrado finalmente a mulher da minha vida.

Marlene sentou-se na cadeira, pegou um grande pedaço de omelete e colocou-o em meu prato. Sentei-me.

A pequena cozinha estava tomada pelo cheiro de omelete, Marlene agora parecia séria, estranha. Eu sentia que ela queria falar-me algo e que estava apenas esperando o momento certo. Desde que nos conhecemos Marlene nunca havia reclamado de nada, acho que tinha chegado o momento, e eu esperava que ela finalmente começasse a falar. Não perguntei o que estava incomodando-a, eu sabia que ela falaria a qualquer momento. Cortei o omelete, um pequeno pedaço. Mastiguei lentamente, quase que fazendo força para engoli-lo. Marlene comia silenciosamente, às vezes ela olhava-me e eu olhava para ela sem dizer uma palavra.

- Acho que esta na hora de você arrumar um emprego - disse ela.

- Que emprego? - perguntei.

- Qualquer um. Assim não dá mais para continuar. O que você faz não tem futuro nenhum. Você não irá conseguir construir nada como cartunista. Eu quero uma boa casa, quero um carro, quero poder viajar. E nada disto você poderá me dar fazendo estas histórias em quadrinhos  - disse ela disparando. Bum, bum, bum. Seco e direto. Foi-se os omeletes e a mulher que acreditava poder viver comigo. - Quero segurança e se você não pode me dar isto eu terei que ir embora. Não quero viver ao lado de um homem que insiste em lutar por algo que está perdido. Isto que você faz não dá futuro nenhum, você pode até ter algum talento no que faz, mas nunca conseguirá me dar uma vida decente com isto - ela completou com uma voz decidida.

Um silêncio tomou conta da pequena cozinha, Marlene cansou de passar trabalho ao meu lado. É claro que eu não poderia exijir que ela fizesse parte da minha miséria, dos meus sonhos impossíveis. Parecíamos dois fantasmas sentados ali, olhando para aquele omelete partido, olhando um para o outro. A miséria separando, espedaçando, destruindo, cortando lentamente como um carrasco que tortura suas vítimas. Cortando e sorrindo, um sorriso malicioso e cruel.

Não tocamos mais no assunto naquela noite. Mais tarde deitamos um ao lado do outro e começamos a nós beijar. Senti a sua língua dentro da minha boca, parecia querer me engolir. Acariciei os seus peitos e comecei a chupá-los, chupá-los... Parecia que eu tentava sugar a essência dela, ela gemia e me abraçava com força. Tirei-lhe a sua pequena calcinha de algodão e penetrei-a lentamente, depois com força e mais força. Agarrávamos como dois animais, ela gemia alto e pedia para que eu metesse mais e mais. O mar abrindo-se, o universo rasgando-se ao meio. Gozamos.

Sabíamos que aquela tinha sido a última vez. A miséria separando, o triste fracasso. Eu continuaria tentando sozinho, fiquei pensando naquilo tudo enquanto fumava um cigarro. Às vezes eu olhava para o lado e via o corpo nu de Marlene deitado ao meu lado, um braço dela estava estendido sobre o meu peito. Tudo triste e Marlene tão linda dormindo ao meu lado.

No outro dia Marlene foi embora. Cheguei em casa e notei que suas coisas não estavam mais no roupeiro, um espaço vazio que eu não sabia se seria preenchido novamente. Andei até a cozinha e olhei para um pedaço de omelete frio sobre a mesa.  Era o último pedaço.


Escrito por Emerson Wiskow às 21h24
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