Cheguei num dia muito claro. Havia luminosidade por todos os lados, uma luz prateada que se refletia nas vidraças das lojas, nas janelas e nos automóveis. Um belo dia de primavera. Tive a sensação de estar em Arles e que a qualquer momento encontraria Van Gogh andando pelas calçadas com alguma tela debaixo do braço. Mas a verdade é que a cidade não era Arles e não que havia mais Van Goghs. Então saí andando pelo centro da cidade a procura de um lugar para me alojar. Ainda não sabia muito bem quanto tempo eu ficaria na cidade. Meus olhos ardiam sob aquela luminosidade, às vezes, dependendo para onde eu olhava eles lacrimejavam como se chorassem pela perda de um grande amor. Bom, eu já havia perdido alguns e muitas vezes não conseguira chorar. Talvez fosse uma espécie de efeito retardado. Continuei andando até encontrar uma pequena pensão. Era muito antiga, ficava numa rua também muito antiga, calçada com pedras que dizem serem do tempo de D. Pedro II. Parece que eu estava rodeado por história. A luz da cidade remetia a Van Gogh, as pedras a D. Pedro. O quarto não lembrava nada. Era um desses simples moquifos baratos.
Abri a janela e deixei entrar no quarto aquela luz maravilhosa, os raios de sol fizeram um lastro de luz e poeira como se fossem espectros navegando, flutuando. Eu ainda não tinha desistido de escrever. Quer dizer, ainda estava tentando escrever alguma coisa e pretendia produzir alguns contos por ali. No resto era vagabundar no melhor estilo Henry Miller. Depois de abrir a janela resolvi me jogar na cama e descansar um pouco. Eu estava quebrado, com o corpo moído por causa da viagem de ônibus. Acabei adormecendo como uma personagem de conto de fadas. Não com lindos cabelos loiros e com o corpo cheirando a suaves flores do campo, mas fedendo a suor e com cabelos desgrenhados. Além de estar com o rabo quase assado por causa do calor. No meio da tarde, por volta das quatro horas acordei com o som alto que vinha do quarto ao lado. Alguém estava com a corda toda ouvindo Bruno e Marrone. Reconheci logo, claro, muitas vezes eu ouvira aquela música nos inferninhos que eu frequentara. Eu era um mestre nisso. Um mestre da chinelagem. O pretenso escritor que passava noites ouvindo músicas de corno, fumando e bebendo cerveja rodeado por putas. Era uma beleza.
Como não conseguia dormir mais por causa da música, resolvi ir tomar um banho. O banheiro era uma merda. Um pequeno banheiro coletivo com azulejos azuis e verdes. Para minha sorte não havia ninguém ocupando o banheiro. A música continuava tocando alto e ninguém parecia se importar. Tomei um bom banho, refresquei o corpo e quando sai do banheiro tive uma visão do paraíso. Ah, o mais certo é dizer que tive a visão de alguém vindo do paraíso. No quarto ao lado do meu, de onde saia a música surgiu a figura de uma mulher estonteante enrolada numa toalha com estampas de barquinhos. Ela veio em minha direção, quer dizer, ela veio em direção ao banheiro, onde eu estava. Parecia alegre, cabelos pretos e com um quadril anunciando ser uma deusa da fertilidade. Uma máquina. Uma máquina de sexo capaz de destruir você no primeiro assalto. Era como entrar no ringue com Marciano, o boxeador. Você não teria chance. Mas resolvi arriscar. Não tinha como resistir, tinha um rosto de menina, os olhos eram vivos, cheios de vida e destruição. Ela disse algo e sorriu. O que ela disse? "Oi", foi isso. Voltei para o quarto e fiquei esperando. O quê? Não sei ao certo, fiquei apenas esperando. Não aconteceu nada, continuei ouvindo a música que vinha do quarto dela.
Eu estava tentando escrever quando bateram na porta. Na minha porta. Abri e surgiu a morena do corredor, do quarto ao lado, do volume máximo. Estava arrumada, vestia uma calça de brim colada ao corpo e uma blusa rosa transparente. O rosto maquiado, boca e olhos. Tudo equilibrando-se sobre uma sandália de salto alto. Numa mão tinha um cigarro com a ponta ardendo, noutra uma sacola volumosa. Sorriu.
- Oi - disse ela.
- Oi.
- Você é o novo morador, não é? - perguntou a morena.
- Sou.
- Ah, legal. Posso entrar?
- Claro.
A morena sorriu maliciosamente e correu os olhos em direção ao seu corpo. Acompanhei seus olhos. Um belo caminho. Era um sonho. Estava difícil de acreditar. Parecia uma armadilha, geralmente é. Já estava esperando entrar meia dúzia de brutamontes para me assaltar e me cagar a pau.
Quando a morena deitou-se na cama foi como se os anjos tivessem decido do céu. Teve uma performase. Claro, era um anjo malicioso que pousou sobre aquela velha cama de lençóis surrados. Ela se pôs de quatro e esticou o corpo como um felino espreguiçando-se. Gemeu como se sentisse um prazer sexual. Os músculos alongaram-se lentamente, suas costelas marcaram o seu corpo.
- Qual o seu nome? - perguntou a morena com uma voz morna.
- Emerson, e o seu?
- Márcia.
- Márcia... Márcia...
- E então, quer se divertir um pouco? - disse ela deitada de bruços e olhando-me sobre o ombro.
- Você é uma tentação. Nunca vi uma mulher com um corpo tão bonito.
- Por cinqüenta reais ele é seu durante a noite toda. Vou deixar você louco.
- Já estou
- E então, quer?
- Quarenta - retruquei.
- Quarenta por uma noite? Geralmente cobro bem mais que cinqüenta.
- Você é um sonho, mas é só o que eu tenho.
- Venha! - disse ela abrindo as pernas.
Era uma visão maravilhosa. Uma bela mulher brejeira, de corpo perfeito, perdida naquela cidadezinha que tinha a luz de Van Gogh e uma rua calçada com pedras do tempo de Dom Pedro II esperando-me na cama. Logo tive uma ereção. Uma grande e boa ereção, então resolvi me exibir um pouco, abri minha calça e botei meu pau para fora. Massageei ele um pouco exibindo sua bela cabeça roxa.
- Você tem um pau bonito - disse ela. Márcia tirou a calça, depois a calcinha. Assim, uma de cada vez, claro, e continuou deitada de bruços. Também se exibia. Márcia abriu as pernas e mostrou sua buceta, carnuda, bela, suculenta. Não resisti e enfiei a cara no meio do seu rabo. Era o melhor rabo do mundo. Enfiei-lhe a língua no cú, chupei sua buceta. Tudo ficou molhado e babado. Dei-lhe umas cuspidas no cú e na buceta, eu estava afim de brincar um pouco.
Pela manhã, quando a luz de Van Gogh surgia novamente eu já havia gozado seis vezes vezes. Durante a semana que passei na cidade não escrevi nada. Todas as noites Márcia vinha me visitar sem cobrar nada. Durante a tarde Márcia trabalhava e eu ficava dormindo ou lendo. Quando fiu embora espiei ela pela última vez através da janela do ônibus. Uma linda luz iluminava seu corpo.