 |
 |
|
|
| 01/06/2004 |
O apanhador de mulheres e seus odores
O cara era um poço de eficiência. Cacete. Fodido. Era de dar inveja a qualquer um. Não tinha como não sentir um fio de inveja daquele sujeito. Estava sempre com um bando de mulheres atrás dele. Trepava com uma, com outra e mais outra. Vivia esquivando-se de alguma mulher, dando desculpas, rebolando para conciliar todo seu hárem. Fodia com uma e depois ia para a casa de outra. Vivia assim, pulando de galho em galho. E elas estavam sempre dispostas a abrir as pernas para ele. Uma e outra vez sobrava alguma. Ele olhava para mim e ria, não conseguia entender como um cara atravessava grandes fases de jejum. Um jejum forçado, claro, eu vivia faminto. Faminto por uma mulher. Bunda, peitos e buceta. Eu já estava sentindo falta de uma companhia feminina. Uma mulher em casa deixando seu perfume por toda parte. No travesseiro, nos lençóis, na roupa. Gosto de encontrar uma calcinha deixada displicentemente em algum canto, pendurada na porta do roupeiro, no banheiro, entre minhas coisas. Calcinha usada, com cheirinho e tudo. Ver o corpo de uma bela fêmea desfilar pelo meu quarto, mostrando as pernas, vestida com uma pequena peça de roupa. Ah, a beleza feminina. Uma mulher sentada no vaso do banheiro cagando suavemente enquanto escovo os dentes ou faço a barba. Mas há muito tempo eu não tinha nada disso. Apenas lembranças e desejo, a vida solitária de uma cama vazia. Piegas mas bom. Um belo rabo roçando seu corpo no meio de uma madrugada.
Então tinha esse cara, auto-suficiente, meio boçal, egocêntrico e descarado. Comendo tudo que é mulher que aparecia no pedaço. Dava nojo de ver a cena. Estávamos todos numa pequena festinha no apartamento de um cara. Eu, me arrastando, bebendo e comendo as mulheres com os olhos, esperando que fosse minha noite de sorte e que depois de um longo tempo conseguisse baixar as calcinhas de uma mulher. O velho caubói solitário, uma piada. Nos filmes parecia tão fácil. Mas nada, e Martins já fazendo o seu jogo, arrogante, circulando e vomitando sua lábia pela sala, sobre as mulheres, claro, e elas com seus olhinhos brilhando feitos lebres hipnotizadas por um forte facho de luz em suas caras no meio da escuridão. Perfeitas idiotas. A bebida correndo solta e como sempre alguém puxou um baseado, todos alegrinhos e brincando de serem felizes. Martins pegou uma garota e levou-a para o quarto. Foi o primeiro cara a fazer isso na festa. E único. Ficou lá durante uma hora, fodendo a deslumbrada que havia caído no seu papo. Depois ele voltou sorrindo e dispensou a garota. Não interessava mais, já havia conseguido meter seu pau na xota dela. Uma garota, deveria ter seus vinte anos, aproximou-se de mim, copo de cerveja na mão, olhos brilhando e meio idiota. Era vendedora de assinaturas de um jornal. Boa bunda, grande, estourando dentro das calças, coxas grossas e uma barriguinha saliente. Tinha suculentos peitos. Cabelos escorridos, ruiva e com cara de tonta.
- Não vai dar um pega? - perguntou ela.
- Ah, não gosto de maconha.
- Eh, eh, eh... Não gosta de baseado! - disse ela depois daquela risadinha idiota.
- Você fumou? - perguntei.
- Eh, eh, eh... Dei uns peguinhas.
- Ah...
- O que você faz? - perguntou ela com o seu sorriso de tonta na cara.
- No momento estou trabalhando com ações no mercado financeiro. Especulações. Tiro, boto, procuro a melhor oferta para botar, daí tiro e boto novamente.
- Séério?? Um investidor...
- É, gosto de aplicar no fundo.
- Ah... você deve estar brincando comigo.
- Não. Adoro botar no fundo. Bebi o último gole da minha cerveja e olhei descaradamente para o meio de suas coxas grossas, tinha uma bela buceta volumosa, a calça justa sufocando tudo aquilo. Eu já estava me imaginando chupando aquela buceta, enfiando a cara ali no meio e fodendo seu rabo.
- Ei, o que você acha de pegarmos uma cerveja e irmos para o quarto beber mais à vontade? - perguntei a ela.
- Nããoo... Está bom aqui, podemos beber aqui.
- Ah, qual o seu nome?
- Lena.
- Lena... huumm, vamos pegar a cerveja, depois veremos o que faremos.
- Não, obrigada. Acho que vou dar uma volta. E foi, ainda olhei para seu enorme rabo enquanto ela se afastava. Vaquinha. Logo se aproximou Martins, sorrindo e satisfeito.
- E aí, como está a mulherada?
- Difícil. Vamos pegar uma cerveja.
Uma semana depois encontrei novamente Martins no seu apartamento. Estava mexendo em suas frieiras, um chulé insuportável inundava a sala. Quando via aquilo não conseguia entender como as mulheres agüentava e criavam alguns barracos por causa dele.
- Pegue um pouco de vinho para você - disse ele ao beber um gole, depois continuou a mexer entre os dedos dos pés. Fui até a garrafa e servi um copo. Bebi um gole.
- Achei genial sua série de quadrinhos Mundo Feio. A melhor coisa criada em quadrinhos em Porto Alegre, mostrei para uns amigos. Teve um cara estudante de filosofia - disse Martins.
- Legal.
- E a mulherada?
- Nada. Não consigo umazinha sequer.
- Cara, como pode? Só essa semana comi três. Ontem tive que agüentar uma chorando, dizendo que está apaixonada. Diz que eu sou o homem da vida dela. Mandei ela embora.
- Acontece.
- Eu já disse para você. Você tem que passar porra no corpo, assim como eu faço. Sempre uso a mesma cueca durante quatro, cinco dias consecutivos. Me masturbo e limpo a porra nela, fico cheirando a porra. As mulheres gostam disso, gostam do cheiro de porra. Porra velha, cheiro de esperma. Sabem que sou um macho fodedor. Cheiro a sexo. Nem elas sabem o porquê, mas mexo mesmo com as mulheres que dizem sentirem nojo. Elas adoram esperma.
Ouvi a teoria de Martins, não duvidei totalmente, o fato é que ele vivia cheio de mulheres. Muitas eram belas e metidas a boas, limpinhas, cheirosas e bem vestidas. Eu não entendia como elas conseguiam agüentar os costumes dele, deitar com ele. Martins vivia coçando o saco e cheirando, deixava o banheiro pestilento, os pés cheios de frieiras e as cuecas sempre imundas.
- Olhe isto aqui - disse Martins abaixando as calças.
- Olhe isto! - disse Martins mostrando a cueca imunda, com manchas com porra seca.
- Está sentido? Está sentido o cheiro de porra? O cheiro de esperma!?
Senti aquele cheirão de porra seca.
- Elas adoram isto. Ficam loucas.
Conversamos mais algum tempo, depois resolvi ir embora. Na porta encontrei uma loira bonita, alta, quadris gigantescos e uma bela bunda. Mais uma das mulheres de Martins. Ela olhou-me, beijou Martins e entrou. Saí e me encolhi um pouco, acendi um cigarro e voltei tranquilamente para casa. Antes ainda parei num bar, bebi uma cerveja e observei algumas mulheres. No seu apartamento, Martins descolava do rego a cueca podre e enchia o quarto com seus cheiros enquanto mais uma mulher esperava por ele.
Escrito por Emerson Wiskow às 14h17
[]
[envie esta mensagem]
|
|

Escrito por Emerson Wiskow às 14h14
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
|
|
|
|
|
|

|